Falar do passado é reviver fatos que fazem das lembranças a minha história.
Nasci e cresci em São Paulo. Morava numa casa simples em uma rua estreita e inclinada. Lá de cima, podia-se ver as moradias, uma ao lado da outra, espremidas como palitos numa caixa de fósforos, desaparecerem na descida do morro que servia de vista para o pequeno bairro chamado Pedreira.
Sem movimento de carros, apenas bicicletas que, na época, eram muito comuns e todos tinham uma – ah, como eu queria uma bicicleta! Rua do Sossego, apelidada por mim e meus irmãos, foi palco de grandes fatos marcantes.
Quando era menina – a vida não era cor-de-rosa – certa tarde, ali, na Rua do Sossego, um corpo desfalecia... As lágrimas rolavam... e com uma voz trêmula em suas últimas palavras, dizia-me para que continuasse sonhando, persistindo e que não desistisse...
Enquanto a noite caía, eu, triste, imóvel e sem saber o que fazer, quando uma brisa suave tocou-me, avisando a partida de meu querido primo...
Antigamente, podíamos jogar futebol e brincar na rua. Sentíamos o ar puro que passava, resmungando e balançando as árvores por ali. Os vizinhos visitavam-se e havia cordialidade e respeito.
Hoje, a Rua do Sossego não é mais a mesma pois as crianças vivem trancadas em casa e não jogam mais futebol. Caminhões, carros e motos tomam as ruas trazendo o rastro da poluição e as pessoas, a violência.!
Sou Doroty, 42 anos, três filhos e não moro mais na Rua do Sossego. Sou feliz? Sim! Mas não tanto como no passado!
Rafael Neves Bandeira
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