BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A rua do sossego e suas histórias


         Falar do passado é reviver fatos que fazem das lembranças a minha história.
         Nasci e cresci em São Paulo. Morava numa casa simples em uma rua estreita e inclinada. Lá de cima, podia-se ver as moradias, uma ao lado da outra, espremidas como palitos numa caixa de fósforos, desaparecerem na descida do morro  que servia de vista para o pequeno bairro chamado Pedreira.
         Sem movimento de carros, apenas bicicletas que, na época, eram muito comuns e todos tinham uma    ah, como eu queria uma bicicleta!  Rua do Sossego, apelidada por mim e meus irmãos, foi palco de grandes fatos marcantes.
         Quando era menina    a vida não era cor-de-rosa    certa  tarde, ali, na Rua  do Sossego, um corpo desfalecia... As lágrimas rolavam... e com uma voz trêmula em suas últimas palavras, dizia-me para que continuasse sonhando, persistindo e que não desistisse...
         Enquanto a noite caía,  eu, triste, imóvel  e sem saber o que fazer,  quando  uma brisa suave tocou-me, avisando a partida de meu querido  primo...
         Antigamente, podíamos jogar futebol e brincar na rua. Sentíamos o ar puro que passava, resmungando e balançando as árvores por ali. Os vizinhos  visitavam-se e havia cordialidade e respeito.
         Hoje, a Rua do Sossego não é mais a mesma pois as crianças vivem trancadas em casa e não jogam mais futebol. Caminhões, carros e motos tomam as ruas trazendo o rastro da poluição e as pessoas, a violência.!
         Sou Doroty, 42 anos, três filhos e não moro mais na Rua do Sossego. Sou feliz? Sim! Mas não tanto como no passado!

 Rafael Neves Bandeira

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