Nasci e cresci em Indaial numa época em que as pessoas andavam de bicicleta ou a pé, bem diferente de hoje, quando os carros ocupam as ruas. A cidade era pequena, poucas casas e com ruas de barro. O meu bairro não passava de uma clareira no meio do mato. Hoje, a maioria das ruas já são asfaltadas, com várias casas e comércio. Naquela época, eu ajudava a lavar a louça e preparava um ensopado que era de comer rezando! Também cuidava das minhas irmãs pois eram umas pestes... Antigamente, existiam várias brincadeiras mas chutar latas era a minha favorita, brincava o dia inteiro e não queria parar. Quando estudava, a escola era longe e tinha que caminhar quilômetros a pé. O único motivo que me guiava para não parar de estudar era o prazer pela leitura e a vontade de ser professora de artes. Pintava e desenhava, com muito orgulho, minhas flores e borboletas que pareciam voar de verdade! Se tirasse uma só nota baixa, meu pai me batia com o cinto “e como batia forte” mas depois pedia desculpas...Lembro-me bem do meu primeiro namorado. Usava um perfume delicioso de jasmim. Cumprimentava meu pai com tanto medo que chegava a suar frio! Saíamos juntos para as festas de igreja e para o bailão. Nos matávamos de tanto dançar! Para beijar, ficávamos escondidos! Na época era proibido. Com 18 anos, casei-me com o mesmo primeiro namorado. Um pouco tarde, pois as minhas amigas, não passaram dos 16 anos. O tempo passou depressa e hoje, eu, Elisabeth, uma merendeira de 55 anos, não sei o final dessa história. Se soubesse estaria morta. Como não estou, posso, ainda, escrever um livro inteiro!
Jorge Pavanello

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.